Em menos de um ano, acontece um novo incêndio de grandes proporções em terminais de armazenamento no Porto de Santos (litoral de São Paulo). Dessa vez foi na margem esquerda do maior complexo portuário da América Latina, na cidade de Guarujá. Em 14 de janeiro último, o fogo atingiu mais de 50 contêineres com produtos químicos os mais diversos do terminal Localfrio. Em abril de 2015, o fogo destruiu seis tanques de armazenamento de álcool anidro e gasolina da empresa Ultracargo.
A situação inspira atenção redobrada e exige um debate aprofundado sobre as atividades no porto e o resguardo da população da região, como analisa o diretor da Apaest Newton Guenaga Filho nessa entrevista ao boletim da associação.
Foto: Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo
Incêndio destruiu mais de 50 contêineres com produtos químicos no terminal da Localfrio
Apaest - No espaço de nove meses acontecem dois acidentes de grandes e graves proporções, envolvendo armazenamento de produtos químicos em terminais instalados no Porto de Santos. Isso é um sinal de que existem falhas graves na segurança?
Newton Guenaga Filho – Não são apenas esses dois acidentes com produtos químicos que temos de analisar. Devemos ampliar a nossa visão e considerar, em termos de incêndio, os ocorridos nos armazéns de açúcar também no Porto de Santos. Alguma coisa está acontecendo no maior Porto da América Latina. A segurança é um dos fatores a serem considerados.
Foto: Beatriz Arruda/Seesp
Guenaga alerta para a necessidade de discutir urgentemente os armazenamentos nos vários terminais do Porto de Santos
Apaest – Sabemos que toda essa área do complexo portuário armazena muitos outros tipos de produtos químicos e inflamáveis. Qual a medida mais correta para evitar novos acidentes e tragédias?
Guenaga – A medida mais correta é sempre a prevenção, que começa no projeto de instalação, com a devida execução, depois a fiscalização, manutenção e aprimoramento das medidas mitigadoras preventivas, porque a prevenção sempre evolui com a tecnologia. Quando há um acidente, como a engenharia é preventiva, entendemos que houve uma falha da engenharia seja no projeto, na sua execução ou na sua operação, manutenção e fiscalização. Além disso, é fundamental ter, ainda, o plano de emergência. Não podemos fugir disso. O problema acontece se o projeto é ruim compromete a instalação, aumenta os riscos se for mal executado, mal operado, mal fiscalizado e com manutenção inadequada ou inexistente e piora porque não existe um plano de emergência.
Na atual conjuntura é necessária a formação de uma força-tarefa com órgãos federais, estaduais, municipais para fiscalização e eventual intervenção em cada armazenamento existente no porto, mas para isso que aconteça precisa existir vontade política para mexer nesse vespeiro.
Apaest – Além do Porto, a região da Baixada Santista também abriga um polo petroquímico. Nesse sentido, o senhor acredita que a abordagem com relação à segurança deveria ser mais ampla e envolver os órgãos públicos em medidas emergenciais? Como criar um sistema de segurança vigoroso e rigoroso na região?
Guenaga – Como eu disse fazer engenharia de segurança é fazer prevenção, mas dependemos também de “outras engenharias” de projeto, execução, operação, manutenção e fiscalização para o conjunto dar certo. Se uma delas é mal realizada, coloca em risco a planta e as pessoas, sejam elas funcionários ou a população. Plano de emergência é feito para que nunca seja usado. Ou seja, se as “outras engenharias” atuarem de maneira correta, o plano de emergência nunca será usado.
Apaest – A engenharia de segurança sendo corretamente utilizada em projetos afasta os perigos e riscos de acidentes como esses?
Guenaga – Se a engenharia de segurança estiver presente e for aplicada em todas as fases do empreendimento (projeto, execução, ampliação, operação, manutenção e fiscalização) com certeza afastamos cada vez mais os riscos de acidentes como esses, porque a palavra-chave é se antecipar aos riscos e corrigi-los no seu nascedouro, na sua origem.
Nossa Missão
A APAEST atua na defesa de seus associados, fortalecendo a engenharia de segurança do trabalho, promovendo o desenvolvimento sustentável na comunidade, incluindo a melhoria das condições de trabalho e a preservação do meio ambiente e da integridade física dos trabalhadores.
Nossa Visão - Promover ambientes de trabalho seguros, utilizando técnicas de engenharia de segurança nos projetos de engenharia.